sábado, 31 de outubro de 2026

Mundial Sub-15: uma experiência mundial e desafios para o futuro do futebol santomense

Mundial Sub-15: uma experiência mundial e desafios para o futuro do futebol santomense

Na primeira participação de sempre do país numa fase final de uma competição de futebol, um mundial que contou com 189 participantes em que apenas 20 países que estão filiados a FIFA não estiveram presentes,  os jovens Falcões e Papagaios tiveram a oportunidade de representar o país num palco internacional e medir forças com adversários de diferentes continentes, na competição decorreu em Baku, no Azerbaijão. 

Uma primeira fase muito difícil

Dentro do Grupo AC, a seleção santomense encontrou adversários de diferentes realidades futebolísticas. A estreia, frente à Namíbia, terminou com uma derrota por 8-0. Seguiu-se o encontro com a Polónia e uma derrota copiosa por 20-0, antes de São Tomé e Príncipe perder por 5-1 diante das Bermudas, conseguindo, nesse jogo, apontar o seu primeiro golo na competição.

A equipa voltou a entrar em campo no dia seguinte, frente à Geórgia e às Ilhas Virgens Britânicas, sofrendo derrotas por 9-1 e 3-0, respetivamente. Assim, terminou a fase de grupos sem pontuar, com cinco derrotas em cinco jogos. Os resultados evidenciaram a distância competitiva que ainda separa a formação santomense de algumas das seleções presentes no torneio.

A reação diante do Brunei: o momento alto da participação

Depois de uma primeira fase particularmente exigente, a seleção nacional foi colocada no Nível F, destinado às equipas que ficaram em último nos seus grupos na primeira fase. Mas foi precisamente nesse contexto que os jovens santomenses conseguiram alcançar o primeiro triunfo frente ao Brunei, nos 1/16 de final, São Tomé e Príncipe chegou ao intervalo a perder por 2-0. A equipa, contudo, não desistiu. Reagiu na segunda parte, marcou por duas vezes e levou a decisão para as grandes penalidades, onde venceu por 5-4. 

A primeira vitória santomense no torneio e um sinal de capacidade de reação perante a adversidade. Nos oitavos de final do Nível F, porém, a equipa voltou a encontrar dificuldades e perdeu por 6-0 diante de Malta, que seguiu-se outra derrota diante das ilhas Cook por 4-0 e outra vitória frente as Bahamas por 3-2, concluindo o torneio com uma derrota perante Timor Leste.


Mais do que os resultados, fica a necessidade de investir na formação

São Tomé e Príncipe terminou mundial na 174ª posição com duas vitórias e oito derrotas contudo esta participação no Azerbaijão deixa duas leituras que importa não confundir. Por um lado, os resultados desportivos mostram as dificuldades da seleção Sub-15 para competir ao nível internacional, sobretudo perante adversários com maior preparação e continuidade competitiva. Por outro, a experiência proporcionou aos jovens santomenses a oportunidade de conhecer outras escolas de futebol, enfrentar diferentes estilos de jogo e representar o país numa competição mundial.

As derrotas expressivas não devem ser ignoradas nem desvalorizadas. Devem, antes, servir de ponto de partida para uma reflexão séria sobre as condições oferecidas ao futebol de formação em São Tomé e Príncipe. A regularidade das competições juvenis, a qualidade dos treinos, a preparação física e técnica, a formação dos treinadores e o acompanhamento dos jovens talentos são aspetos fundamentais para reduzir a distância competitiva observada. 

Para a história ficam os nomes dos dos jovens convocados que apesar de todas as limitações representaram o país: Samuel Lino e Ilídio Teixeira, na baliza; Etinei Sousa e Aníbal Ferreira, na defesa; Claudnir Soares, Cosme Júnior Esperança, Erdmilo Santos, André Carlos Sousa, Elyton Alexis Quaresma e Tiago Boa Esperança, no meio-campo; e Eric Thiago Solé, Isaías José Vilela, Izaldino Semedo e Vinícios Espírito Santo, no ataque, sob orientação de Lígia Santos.  




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